Sábado

No final do ano passado, pareceu-nos que 50€ ida e volta pela Ibéria, seria um preço justo para ir dar uma voltinha a Madrid.

O voo era às 7h30 e, recordados da nossa penúltima viagem para Manchester, onde logo pela fresquinha fizemos uma meia maratona em pleno terminal para não perder o avião, não facilitámos e nada de emoções fortes por hoje!

Já há muito tempo que não voava com a Ibéria e apesar de tudo ter corrido bem e sem grandes atrasos, no avião para lá o espaço entre os assentos era exíguo (felizmente somos uns porta chaves) e na classe económica nada de lanchinhos, ainda falamos nós mal da nossa querida TAP. 🙂

Cerca de uma hora depois chegámos ao aeroporto de Barajas e fomos via metro até aos nossos aposentos. A linha de metro em Madrid não tem nada a ver com a de Lisboa, é enorme, tendo ´apenas´ 13 linhas. Após quase uma hora e 2 mudanças de metro depois lá chegámos ao nosso hostel. Não querendo gastar muito e querendo ficar o mais central possível, optámos pela 1ª vez por um hostel, que vos falaremos mais tarde 🙂

Encostados à Puerta del Sol, foi exactamente aqui que começámos o roteiro desse dia, mais precisamente na famosa placa do km zero. No séc. XVIII o Rei Felipe V mandou construir 6 estradas que se extenderiam para toda a península e neste ponto se pensava ser o centro da capital, de Espanha e de toda a Península Ibérica! Outra curiosidade é que a partir deste ponto é que se enumeram todas as casas em Madrid.

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Mais centrais não podiamos ficar portanto, podia mesmo haver uma expressão do tipo: todos os caminhos vão dar à Porta do Sol 🙂

Nesta famosa praça podemos encontrar uma estátua com o símbolo de Madrid, o urso e o medronheiro, ou melhor dizendo uma ursa. 🙂 Há diversas teses que explicam o porquê destes 2 símbolos representarem a cidade. Em relação ao animal diz-se que antigamente existiam em largo número nos bosques circundantes. No que diz respeito ao medronho, os historiadores contam que uma enorme praga assolou a cidade e quem comeu os frutos do medronho ou bebeu chá das suas folhas, com as suas propriedades medicinais, se curou.

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Aqui nos encontrámos com a nossa amiga Marisol e o Angel, que nos iriam seguir neste dia de passeio pela cidade 🙂

Como a Ibéria não nos forneceu nenhum lanchinho, e a fome já ia apertando, junto à Porta do Sol, fomos ao Museu do Jamon, onde decidimos abrir as hostes gastronómicas na cidade. Umas cañas com um fantástico presunto para picar e mais umas sandubas e croissant com quê?… Presunto, claro 🙂

Já mais compostinhos seguimos para a Plaza Mayor – a famosa praça rectangular da cidade – com 129 metros de comprimento e 94 de largura.

Aqui estão situados os restaurantes com os bocadillos de calamares mais famosos da cidade mas como estávamos de barriga cheia não comprovámos a fama e seguimos até ao Mercado de San Miguel. Tinhamos previsto jantar mais tarde por lá, mas rapidamente mudámos de ideias. O mercado é de facto lindíssimo mas lá dentro os turistas são tantos que mal se consegue andar e respirar, já para não falar nos preços..fizemos o reconhecimento com muita dificuldade e seguimos pela Plaza de la villa até à Catedral de Almudena.

A Catedral de Almudena é a igreja mais importante de Madrid, sendo que foi a primeira igreja consagrada pelo Papa fora de Roma. Como se estava a celebrar missa não entrámos e fomos visitar a sua cripta, com entrada gratuita.

Mesmo ao lado da Catedral, encontra-se o Palácio Real de Madrid, a residência oficial do rei de Espanha, no entanto a família real só usa as dependências do Palácio em ocasiões especiais.

Uma fila denuncia a entrada e após cerca de 30 min entrámos, depois de apertadas medidas de segurança. Dica importante: para quem é professor a entrada é gratuita, sendo assim só eu e o Angel é que pagámos 🙂

O palácio é somente o maior da Europa, apenas superado pelo de Versailles se somarmos os jardins adjacentes. E não é só o maior, é de uma beleza e de um luxo que nunca tinha visto antes, ornamentado de Goya, Veláquez, El Greco, Rubens, Tiepolo, Mengs e Caravaggio, só para dar alguns exemplos.

Infelizmente, com muita pena nossa, é proibido fotografar e as fotos das salas que postamos dos salões são retiradas da Internet.

Destacamos o luxo e a imponência do Salão do Trono com os seus leões de bronze, a Sala de Porcelana que tem as paredes e o tecto completamente cobertos por placas de porcelana, o Salão de Gasparini e a Sala de refeições de Gala, com a sua mesa a perder de vista, com capacidade para 145 lugares e no final a Sala de armas, umas das maiores e  mais impressionantes colecções da Europa.

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Recomendamos vivamente a visita ao palácio Real!

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Depois do palácio visitámos então a Catedral de Almudena, os Jardins Sabatini anexos ao Palácio Real e a praça de Espanha onde podemos encontrar o monumento dedicado a Cervantes, onde junto ao escritor encontramos os icónicos e famosos Dom Quixote e Sancho Pança.

Seguimos depois para o Templo de Debod, pertinho da praça. Uma construção egípcia com mais de 2200 anos, oferecido pelo governo Egípcio a Espanha e que hoje é um ícone da cidade.

A montagem do templo, pedra sobre pedra, foi tão complexa que demorou cerca de 2 anos e foi inaugurado para visita em 1972. Hoje é um dos pontos mais visitados, onde com o espelho de água circundando o templo simbolizando o Rio Nilo, se tiram fotos fantásticas. O tempo escuro que se pôs entretanto não ajudou muito nas fotos, mas é lindo na mesma 🙂

Como as visitas ao templo tinham terminado às 14h e a fome já apertava, fomos à procura do nosso ´lanche´ na Sidrería El Tigre para retemperar energias!

O sistema é simples, pedes uma bebida e eles oferecem as tapas 🙂 Bom, simples e barato! Tivémos tão entretidos a matar a fome e a sede que não conseguimos estar no Museu do Prado à hora prevista, que era meia hora antes do horário gratuito do museu, pelas 18h. Resultado: uma fila gigantesca! Fizemos apostas sobre a hora de entrada no museu: Marta 18h45, eu 19h05, Marisol 19h15 e o Angel 19h40..tendo em conta que o museu fechava às 20h00 felizmente a Marta ganhou 🙂

Algumas pessoas diriam que 1h15 no museu só daria para ver uma sala do museu, no entanto nós conseguimos com tranquilidade ver toda a exposição permanente do museu.

A colecção é vastíssima, Rubens, Rembrandt, Rafael, os espanhóis Velásquez e Goya são apenas alguns exemplos dos pintores mais conhecidos. Mesmo para nós que não temos um conhecimento profundo de pintura achámos uma oportunidade única podermos admirar gratuitamente o vasto espólio existente no Museu do Prado.

Cinco minutos antes das 20h toca o alarme como na escola, chegou a hora de ir embora. Nos planos iniciais  (mais ambiciosos) ainda estaria o Museu Reina Sofia, que era gratuito até às 21h, no entanto ficaria para o dia seguinte com mais calma, onde o programa de festas era mais soft.

Tinhamos combinado ir jantar com o nosso amigo Rui, que se mudou de malas e bagagens recentemente para a capital espanhola, tendo-o desafiado a escolher um sítio para irmos jantar e nos desvendar o segredo mais bem guardado de Madrid 🙂

Como perdeu a noção das horas entretido a montar um móvel, nós enquanto esperávamos fomos matar a sede e picar qualquer coisa para outro museu del jamon, ali por perto, que estava completamente à pinha, nuestros hermanos tratam-se muito bem no que diz respeito ao comer e ao beber 🙂

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Já com a equipa completa, o Rui levou-nos para o nosso destino para cenar: o mercado de San Fernando. Um mercado não tão central nem tão conhecido como por exemplo o de San Miguel, San Ildefonso ou San Anton.

Este não é um mercado para ´inglês ver´, aliás não há por aqui menus em inglês, é um verdadeiro mercado espanhol, feito e frequentado maioritariamente por locais, com muita confusão, animação e barulho 🙂

Depois de uma voltinha pelo mercado escolhemos o local para tapear, um género de talho onde grelhavam a carne que escolhíamos na hora, El Rincon de Manolo. Inicialmente, devido à falta de espaço improvisámos umas grades de cervejas como bancos e mais tarde junto a uma tasca já melhor acomodados fizemos ali mesmo o nosso banquete, composto de um misto de carne e enchidos, croquetes, almondegas e tortilhas.

Com o mercado já a fechar e já sem fome e sem sede, chegava a hora do descanso dos guerreiros depois de um dia cansativo em que muito andámos. Pensávamos nós que íamos descansar mas o Rui ainda nos levou para ir beber um copo à Sala Equis ali por perto, um Bar situado num antigo cinema.

É um sítio super original, onde logo à entrada podes comprar as tuas pipocas e entrar. Lá dentro estava lotadíssimo, onde a muito custo conseguimos um lugar no anfiteatro para beber calmamente o nosso drink. Infelizmente as cadeiras de praia estavam lotadas, de frente para a tela onde passavam uma antiga película 🙂

Gostámos muito de conhecer este antigo cinema de filme XXX, que recentemente se tornou num dos bares mais originais da cidade.

A hora do Vitinho já há muito que tinha chegado e fomos andando rumo à Porta do Sol, onde estávamos hospedados. Agradecemos ao Rui a companhia e de nos ter levado ao Mercado de San Fernando e à Sala Equis, que de outra forma não teríamos certamente descoberto 🙂

Já a caminho do hostel, a Marta ficou com desejos e tivemos que fazer uma pequena inflexão para a Chocolataria mais conhecida da cidade, a San Gines, aberta 24 horas por dia, e famosa pelos seus churros com chocolate 🙂

Descemos para o salão inferior, uma sala com uma decoração giríssima do séc. XIX, onde pudemos confirmar o porquê da sua fama. Os churros com chocolate são realmente uma delicia !

Terminávamos assim a nossa 1ª noite em Madrid com chave de ouro 🙂