Ayutthaya

A visita de um dia a Ayutthaya estava programada inicialmente de uma determinada forma mas depois acabou por tomar outra completamente diferente.

O programa de festas seria sair do hotel, irmos de taxi até à estação de comboio e seguir até Ayutthaya em 3ª classe no meio do povão por uns meros cêntimos e depois alugar um tuk tuk durante cerca de 5 horas, que nos levaria aos principais templos da cidade. No entanto, no dia anterior vimos ao pé do nosso hotel uma tour feita de van com AC, que nos iria buscar e levar ao hotel, com direito a entrada nos templos e almoço, por um preço que, após regatear um pouco, ficou ainda mais baixo do que o plano inicial, o que nos fez mudar de ideias.

Ayutthaya situa-se a cerca de 100 km a norte de Bangkok e era a antiga capital do Reino do Sião, actual Tailândia. Era governado por um total de 35 reis diferentes, até ao ano de 1767 quando a cidade foi completamente destruída pelo exército birmanês, actual Mianmar. Era uma das mais importantes cidades do mundo devido à sua localização entre a China, Índia e Malásia, cidade de um comércio e artesanato impressionante, sendo também apelidada de Veneza do Oriente 🙂

No seu auge, Ayutthaya tinha mais de 1500 templos e 4000 estátuas, sendo que a sua maioria foi destruída ficando as estátuas decapitadas como demonstração do poder do exército birmanês.

Mal chegámos, um  maravilhoso de sol recebia-nos e, por conseguinte, um calor tórrido se fazia sentir. Se achámos que Bangkok era quente, aqui fervia!

Começamos pelo Wat Yai Chai Mongkhon, quiçá o mais bonito em Ayutthaya. Em comparação com os demais está extremamente bem conservado.

Tem a característica de ter uma stupa central enorme, em que é permitido a sua subida e ter uma vista panorâmica espectacular de 360 graus. O espaço está repleto de alinhados budas, graciosamente vestidos, que proporciona fotos incríveis.IMG_0415

Ao sair e, quase nos passava despercebido, num dos muitos jardins contíguos, um enorme buda reclinado lindíssimo que nos dava as despedidas do templo 🙂

Continuámos a nossa viagem  até Wat Maha That, um dos mosteiros mais importantes da antiga capital do Reino, e aqui o cenário é totalmente diferente, os sinais de guerra são bem visíveis, com budas decapitados e membros despedaçados.

É um espaço lindíssimo e grandioso mas ao mesmo tempo perturbador, só de tentar imaginar o que se terá passado naquele mesmo local há cerca de 250 anos e como as guerras, infelizmente, nos perseguem desde tempos idos… Já Voltaire dizia que “Não há nenhum exemplo, nas nossas nações modernas, de uma guerra que haja compensado com um pouco de bem o mal que fez.”

O ex-libris mais conhecido deste templo é a cabeça de um Buda decapitado que com o passar dos anos se entrelaçou nas raízes de uma árvore que a torna única e famosa ao mesmo tempo.

O calor estava insuportável e o ar condicionado da nossa van era o Céu! O nosso desporto preferido entre templos era beber litros de água e provar todos os gelados diferentes que encontrávamos, entre os quais um geladinho caseiro de uma fruta típica da Tailândia, DURIAN, uma fruta com o pior cheiro do mundo mas a mais saborosa, ao mesmo tempo. 1º estranha-se, depois entranha-se!

Seguimos para o nosso próximo destino, o Wat Lokoya Sutha, onde descansa um enorme Buda deitado, cenário do famoso jogo de porrada do nosso tempo, Street Fighter 🙂 com uns impressionantes 37 metros de comprimento. Infelizmente devido a uma cheia recente o enorme Buda estava sem as suas habituais vestes, a ser recuperado e a pôr-se bonito🙂

O próximo templo foi o de Wat Phu Khao Thong, também entaipado como o anterior para recuperação, era sina 🙂

Em formato de pirâmide, é um dos templos mais antigos da cidade e tive imensa pena que, devido às obras, não ter podido escalar o templo até ao topo e apreciar a vista.

Junto do templo está um pequeno mosteiro onde vivem monges budistas e podemos observá-los a tratar das suas lides domésticas do dia a dia, fazer o almoço, tratar dos animais, etc. O cenário é incrível e é realmente um local onde te transmite um sossego e uma paz enorme.

Pausa nos templos para almoço 🙂Levaram-nos a um restaurante, se é que lhe podemos chamar isso, onde não vislumbramos em lado nenhum o seu nome e comemos frango agridoce com arroz, legumes salteados, omolete e abacaxi. Não sei se era da imensa fome mas estava tudo maravilhoso e repetimos várias vezes para compensar os nossos vizinhos que pouco comeram. Achamos uma falta de educação deixar comer nos pratos 🙂 Rematámos o nosso repasto com uns geladinhos da Olá lá do sítio a preços bem em conta!

De barriguinha cheia fomos visitar o Wat Phra Si Sanphet, grandioso e de uma enorme beleza, um dos maiores templos da antiga capital do Sião. As suas stupas em forma de sino muito bem preservados, transformam-no num templo único. Estivemos aqui cerca de 2 horas a passear e a fotografar.

Quando nos dirigíamos para outro  templo ao lado começou a chover copiosamente, aquela chuva tropical com calor ao mesmo tempo, que nos deixa a nós –  Europeus – de boca aberta.

De repente tudo passa e já é Verão com céu azul de novo e estivemos a comer mais um gelado enquanto observávamos os elefantes a transportar turistas. Sinceramente aquelas estruturas de ferro em cima deles deverão certamente aleijá-los e feri-los e gostaríamos de privarmos da sua companhia mas num ambiente mais natural, quiçá um dia quando regressarmos à Tailândia, no norte do país.

Quando pensava que ainda tínhamos tempo de visitar mais um ou dois templos chegou a hora da partida. Foi o único ponto negativo de não termos ido por “conta própria”, poderíamos e teríamos ficado ainda mais tempo na cidade.

No entanto o balanço final da tour foi claramente positivo. Adorámos visitar a antiga capital do Reino e recomendamos vivamente a sua visita! Toda a sua história, toda a sua beleza, grandiosidade e tranquilidade merece ser experienciada 🙂